A Associação Americana de Fonoaudiologia recomenda o termo Apraxia de Fala na Infância para o “Distúrbio neurológico motor da fala na infância, resultante de um déficit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala, na ausência de déficits neuromusculares (por exemplo, reflexos anormais, tônus alterado).”

Ela pode ocorrer como resultado de um impedimento neurológico de origem desconhecida, associada à desordens complexas do neurodesenvolvimento.

Basicamente, na apraxia ocorre um deficit no planejamento e/ou programação dos parâmetros de espaço-tempo das sequencias de movimentos e que resultam em dificuldades e erros na produção da fala.

 

Quem pode diagnosticar apraxia de fala na infância?

Procure um fonoaudiólogo que tenha experiencia com crianças, que trabalhe com desenvolvimento de fala e de linguagem, e que seja capacitado para um diagnóstico e elaboração de um plano de intervenção adequado.

Considere a necessidade de acompanhamentos complementares como terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros.

Algumas crianças precisão apenas do atendimento fonoaudiológico e outras precisarão também de outras terapias.

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Conteúdos Relevantes

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A Apraxia de Fala pode  co-ocorrer com outras condições?

Sim, a apraxia pode ser “pura” quando é específica e não está associada a uma outra condição, mas ela pode ocorrer em conjunto com outras condições, tais como: Transtorno do Espectro Autístico (TEA), Síndromes genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Prader_Willi, etc.

 

Principais características da apraxia de fala em crianças

  • Pobre repertório de vogais, erros com vogais;
  • Pobre repertório de consoantes, incluindo as consideradas mais visíveis, como P e M;
  • Os erros e dificuldades crescem de acordo com o aumento da quantidade de sílabas das palavras;
  • Dependendo do grau de severidade, a criança pode produzir o som, sílaba ou palavra-alvo em um contexto, mas é incapaz de produzir novamente com precisão em um contexto diferente;
  • Mais dificuldade nas tarefas que precisam de controle voluntário, em comparação com as realizadas de forma automática;
  • Dificuldade para alternar com precisão a repetição das mesmas sequencias, como pa/pa/pa ou de sequências múltiplas, como pa/ta/ka;
  • Presença de fala acelerada ou monótona, instável, erros de acentuação, déficit na duração dos sons e pausas entre as sílabas;
  • Em algum momento, podem demonstrar “procura” ou “esforço” para realizar posições articulatórias;
  • Podem também apresentar dificuldades na sequência de movimentos orais voluntários (apraxia oral);
  • A criança demonstra que fica “perdida”, não sabe como movimentar a boca. Ela tenta falar, mas não consegue;
  • Os pais percebem uma discrepância entre a compreensão e a produção de fala (a criança pode compreender bem, mas não consegue produzir a fala).

 

Princípios para o plano da terapia fonoaudiológica

Um aspecto fundamental da intervenção, é que a terapia seja motivadora para a criança!

Deve ser divertida e agradável, além de cuidadosamente planejada, para não cobrarmos algo que a criança não está apta a realizar ainda e seguir princípios de aprendizagem motora.

A participação da família no processo terapêutico também é fundamental. Um aspecto na intervenção é o aprendizado motor e, para isso, o treino em casa é muito importante para que haja a memorização do plano motor e consequentemente a automatização da fala.

Considerando que a criança passa a maior parte do seu tempo com os pais, as oportunidades para a prática são multiplicadas quando os pais encorajam e participam do treino em casa. Os pais também poderão auxiliar o fonoaudiólogo, compartilhando informações quanto à personalidade e preferências da crianças, tais informações poderão ser utilizadas como motivadores terapêuticos.

 

Como a família pode ajudar a criança?

  • Entenda e acolha a dificuldade da criança, é essencial que ela sinta esse apoio. Ela realmente tem um problema, não é preguiça;
  • A criança com apraxia apresenta uma desorganização. Por isso, cuido do ambiente familiar, organize os brinquedos, estabeleça rotinas, limites e regras em casa. Controle a ansiedade! Não obrigue ou pressione a criança para falar;
  • Lembre-se sempre: você quer que a criança tenha atenção aos movimentos da fala e que tente imitá-los. Tente identificar a fala, sem perder a naturalidade. Falar rápido ou demais, usando frases longas não ajuda;
  • Pegue objetos/brinquedos que a criança goste e ao nomeá-los, segure-os próximos a sua boca. Essa estratégia faz com que a criança direcione o olhar aos movimentos da boca;
  • Pistas visuais (movimentação da boca, língua, mandíbula) auxiliam a criança a planejar seus movimentos de fala. Converse e mostre para ela como a boca se movimenta.
  • Busque formar de comunicação complementar e/ou alternativa enquanto a criança esta aprendendo a falar claramente, pois ela precisa de expressar de alguma forma. Lembrando que esses meios não inibirão o desenvolvimento da fala da criança!

 

 

Fonte

Abrapraxia

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