A primeira infância representa inúmeras conquistas no desenvolvimento da criança, tais como sentar, engatinhas e andar. O primeiro ano de vida reserva um dos momentos mais esperados pelos pais: quando o bebê fala “papai” e “mamãe” pela primeira vez, que ocorre graças ao adequado desenvolvimento da linguagem.

A linguagem é a habilidade de compreender e criar conceitos mentais de tudo o que é aprendido, por exemplo: ao ser apresentada várias vezes à uma bola, quando for solicitada à criança que pegue a bola, ela saberá que o termo “bola” refere-se a um brinquedo, redondo, colorido e que pula, graças às suas experiências prévias.

Então surgem as dúvidas a respeito do desenvolvimento da linguagem dos pequenos: Quando é esperado que a criança fale as primeiras palavras? Até quando é normal falar errado? Se a criança de 5 anos não consegue falar de forma inteligível, a mãe precisa se preocupar?

Cada criança tem suas particularidades, mas em geral há etapas semelhantes a serem cumpridas de acordo com a idade e o desenvolvimento cognitivo, conforme exemplificaremos abaixo, de acordo com informações do Conselho Federal de Fonoaudiologia:

 

1o ao 3o mês de vida:

A comunicação com as pessoas ao seu redor é basicamente através de variações de entonação do choro e dos sons por ela emitidos, mais evidente a partir da 3a semana de vida, conseguindo indicar quando está com fome, sono ou a cólica, por exemplo. Desde cedo ela já começa a compreender alguns sinais da comunicação, por exemplo ao observar a entonação da voz e expressão facial do adulto, ela sorri quando alguém fala de frente para ela, ou acalmando-se ao ouvir a voz da mãe.

 

4o ao 6o mês de vida:

A partir do 4o mês de vida, a criança passa a emitir mais sons, mexendo a boca e variando a voz, como se ela estivesse preparando-se para as primeiras palavras que em breve iniciarão.

 

7o mês ao 1o ano de vida:

Passa a ser mais frequente a produção de consoantes de “m”, “b”, “p” em sílabas e junções ainda sem significado, como “angu” e “mamamama”.

Nesta idade, a criança já olha quando é chamada pelo nome, sabe o significado de expressões simples como “não”, “tchau”, “dá”, “vem”.

1 a 2 anos:

A criança começa a falar as primeiras palavras com significado, como “mamãe” e “papai” e não por acaso, pois estas palavras têm uma grande importância de significado na vida do bebê, por terem sido frequentemente apresentadas a ele e também pelo falo de ambas serem formadas por consoantes cujos sons são de fácil produção.

A partir dos 18 meses novas palavras são aprendidas com muito mais facilidade. É a fase “esponjinha”, em que muito do que ouve ela aprende a falar. Sua compreensão evolui tanto quanto a fala e ela já consegue manter pequenos diálogos.

É esperado que a criança fale as palavras erradas, pois ela ainda não aprendeu todos os sons das consoantes. Assim, neste período devemos nos atentar ao número de palavras que ela sabe, não tanto ao como ela fala. À medida em que ela vai crescendo e adquirindo maior habilidade dos movimentos da boca, estes erros vão reduzindo e a fala ficando cada vez mais fácil de ser compreendida.

 

2 a 3 anos:

Neste período a criança aprende cerca de 200 a 400 palavras novas, passando a elaborar frases com 3 a 4 palavras, como “qué comer não” e a contar pequenas histórias, com a ajuda de um adulto.

 

3 a 4 anos:

Seu vocabulário está ainda maior, com aproximadamente 600 palavras, passando a usar preposições (ex. em cima, com e atrás), plural e sentimentos em frases longas de 6 palavras, tanto no presente, como também no passado e futuro. Mantém um diálogo sem dificuldades, e as histórias que conta têm mais detalhes. Apesar de ter ainda algumas trocas de letras, sua fala é facilmente compreendida.

 

4 a 5 anos:

Já conta histórias sem a ajuda do adulto ou de figuras. Usa com facilidade frases maiores, com adequada noção de tempo e condições (“eu só vou brincar se for de carrinho”), ainda apresenta dificuldade na flexão verbal em alguns momentos, mas é facilmente compreendida pois fala praticamente todos os sons de letras.

 

Uma referência do que esperar quanto à produção dos sons, de acordo com a idade, segundo Lamprecht (2004) é:

Entre 1 e 3 anos: falar os sons referentes às letras p, t, k, b, d, g,  f, s, x, v, z, j, m, n, nh.

Aos 4 anos: falar os sons referentes às letras lh, r (ex. ilha, amora)

Aos 5 anos: falar os sons referentes às letras l e r em encontros consonantais (ex. planta, primo)

Estes dados são uma referência, não uma regra. O desenvolvimento da linguagem pode se apresentar de forma diferente para cada criança. Porém, casos que se distanciem das idades apresentadas devem ser avaliados por um fonoaudiólogo, pois diversos fatores podem levar a um atraso na aquisição dos sons da fala.

Pequenos ajustes na rotina e no brincar da criança podem promover importante avanço no desenvolvimento da linguagem, quer saber como? No próximo artigo conversamos mais sobre isso, combinado?

Um abraço,