Autismo: Quais os sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA)

2018-10-09T12:26:05+00:008 de outubro - 2018|Desenvolvimento Infantil, Fonoaudiologia|

As dúvidas acerca do Transtorno do Espectro Autista, popularmente conhecido como Autismo, são muitas, por isso vamos explicar mais sobre as principais características e como identificar os primeiros sinais de autismo na criança.

Quando pensamos no desenvolvimento infantil, bate logo aquela ansiedade em escutar as primeiras palavras, o tão esperado “mamãe” ou o “papai”. Mas algumas vezes essas palavras podem demorar para surgir. Cada criança tem um ritmo próprio de desenvolvimento, mas é importante ficar atento aos marcos  do desenvolvimento da criança, pois eles podem ajudar a identificar os primeiros indícios de que algo foge do que é previsto.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), definido como uma condição do desenvolvimento neurológico, é marcado pela alteração da comunicação social e ocorrência de comportamentos restritos e/ou estereotipados.

A comunicação social ocorre graças à linguagem (capacidade de abstrair e simbolizar as coisas) e  à interação com outras crianças e adultos.

Já os comportamentos restritos ou estereotipados,  são normalmente marcados pela repetição. Podem ser movimentos feitos repetidamente com o corpo ou parte do corpo; pela presença de falas sem um significado ou contexto, também feitas de forma repetitiva.

Além disso, a criança dentro do TEA pode apresentar:

  • Comportamentos sensoriais incomuns
  • Deitar para olhar o movimento  de girar da roda do carrinho
  • Deitar para olhar o movimento  de girar da roda do carrinho
  • Levar objetos próximo aos olhos e “examinar” peculiarmente
  • Ter aversão há algumas texturas
  • Ficar incomodado quando as mãos ficam molhadas
  • Andar na ponta dos pés
  • Ter muito medo de sons do cotidiano (o latido do cachorro, barulho do liquidificador)
  • Interesses incomuns, fixos ou intensos (gostar de um tema ou de apenas um desenho, por exemplo)
  • Muita dificuldade para modificações de rotina ou padrões ritualísticos de comportamento

Levando-se em consideração todas as características aqui descritas, vamos elencar alguns sinais de alerta:

Pouco contato visual: a criança evita o contato visual ou não sustenta esse contato por um tempo considerável. Elas podem virar o rosto para lado durante interações, olhar para baixo ou fechar os olhos.

Ausência de respostas quando chamado: a criança não responde quando os outros a chamam pelo nome. É comum os pais relatarem que “parece que ele não escuta, mas ele olha quando há algum outro barulho”.

Dificuldade para brincar com outras crianças: o déficit na interação social interfere na aproximação da criança com outras. Geralmente, pessoas que estão dentro do espectro autista, tendem a apresentar o isolamento social e, frequentemente, preferem brincar sozinhas, se afastam ou evitam o contato físico. Mas o oposto também pode ocorrer! Há crianças que são extremamente sociais e aceitam a interação com o outro de forma prazerosa, mas em decorrência do prejuízo na linguagem, podem fazer o uso inadequado desta ou, muitas vezes, não ter um “filtro social”. O ambiente escolar é um ótimo espaço para verificar como essa criança interage com os amigos.

Não gosta ou não sabe usar os brinquedos: os interesses da maioria das crianças que estão dentro do TEA podem variar entre números, letras, blocos de encaixe, carrinhos e outros, porém, o uso destes objetos são muito diferentes do esperado para o desenvolvimento neurotípico – elas podem preferir brincar enfileirando os brinquedos, construir torres e derrubar, encher potes e esvaziar e manter um padrão repetitivo por muitos minutos, sem interagir com o outro. Podem se interessar em brincar com a caixa do brinquedo, com uma parte do objeto ou manipular objetos inanimados, como pedras, barbantes, ciscos encontrados pelo chão ou coisas aleatórias. Estabelecer um jogo simbólico, que represente as funções ou situações reais, pode ser muito difícil.

Andar na ponta dos pés: associado ao atraso para o desenvolvimento da comunicação social e às alterações sensoriais, , a criança com TEA podem andar na ponta dos pés devido à pouca (ou muita) sensibilidade que tem ao estímulo tátil.

Baixa tolerância a frustrações e intensos episódios de “birra”: episódios de irritabilidade e intensas “birras” (comportamentos disruptivos) são recorrentes, pois a criança com TEA pode ter muita dificuldade em lidar com regras, esperas, modificações de ambientes ou rotinas, e até mesmo para aceitar que perdeu uma rodada no jogo. Esses episódios podem ser marcados por choros intensos, auto agressividade (bater a cabeça no chão, dar tapas em si mesmo, jogar o próprio corpo contra móveis ou paredes…) ou agressividade com o outro.

“Nojo” de texturas gelatinosas ou de outras consistências: também relacionado aos comportamentos sensoriais incomuns, em alguns casos, “Gelecas” podem não ser atrativas durante as brincadeiras e provocar náuseas.  Ir à praia pode ser muito difícil ou desconfortável para a criança, pois a areia e a água podem ser aversivos para a criança.

Dificuldade para aceitar novos alimentos – restrições alimentares ou seletividade também estão presentes nos quadros de TEA. A Criança pode preferir se alimentar de certas consistências e bloquear outras; pode eleger uma marca de bolacha, por exemplo, e comer apenas esta; pode comer apenas as comidas feitas em casa e não aceitar as feitas em um restaurante. Também é comum a criança não apresentar alterações referentes a alimentação, mas “do dia para a noite” deixar de comer determinado alimento.

Perda de habilidades já aprendidas: em muitos casos, as famílias relatam que a criança desenvolveu todas as habilidades dentro do esperado, mas perderam ou que a criança aprende algo e “esquece”. Esse relato é muito comum em relação a fala! Muitos pais referem que a criança produzia muitas palavras, mas pararam de falar.

Ausência do sorriso social: frequentemente, crianças com TEA são mais sérias e o sorriso pode não ocorrer como o esperado.

Fala repetitiva (ecolalia ou estereotipia verbal): a criança pode repetir o mesmo som por muito tempo e não variar a entonação desta vocalização. Em crianças verbais, estas podem repetir o que o interlocutor disse (ecolalia) dificultando a construção de um diálogo ou repetir falas prontas (como as dos desenhos animados).

Dificuldade para o sono: as noites das crianças com TEA podem ser muito intensas. Os distúrbios do sono são muito comuns nestes casos.

O diagnóstico de “autismo” conta com a avaliação comportamental de diversos profissionais (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e equipe escolar) além dos médicos (neuropediatra e psiquiatra), pois é preciso avaliar a criança como um todo, já que muitos dos sinais podem ser confundidos com outras dificuldades de linguagem ou motora. A partir do diagnóstico é dado também o “norte” para o tratamento interdisciplinar que irá dar o apoio que a criança precisa para promover seu desenvolvimento, além de permitir adaptações no ambiente escolar que garantirão a melhor via de aprendizagem para ela.

O Autismo não é um rótulo de incapacidade. Com tratamento adequado as crianças com TEA podem se desenvolver ir tão longe quanto qualquer outra criança.

 

 

 

 

Sobre o Autor:

Ligia Ribas
Fonoaudióloga, especializada em Funções da Face, mestre em Linguagem pela PUC/SP. Formação no Modelo Denver e no método PROMPT. Membro da TEAR Equipe Multidisciplinar, atua na estimulação de comunicação e comportamento de crianças com desenvolvimento atípico, e Transtorno do Espectro Autista. CRFa 2-18517

Um Comentário

  1. Anna 16 de outubro - 2018 em 14:52 - Responder

    Muito interessante o texto. Conheço crianças que tem autismo e conseguem se desenvolver normalmente, e conheço também alguns adultos com autismo que se tornaram completamente independentes! Podia ter um próximo texto sobre os graus do autismo.

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