Se você tem uma criança pequena com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), você pode pensar que é muito cedo para começar a praticar as habilidades de leitura e escrita. Mas esse não é o caso. Na verdade, nunca é cedo demais para começar a pensar na alfabetização das crianças!

Crianças com TEA nem sempre desenvolvem habilidades de leitura e escrita na mesma ordem ou ao mesmo tempo que crianças com desenvolvimento típico. Algumas crianças com TEA conhecem as letras do alfabeto muito cedo, entretanto, elas podem não ter outras habilidades da alfabetização, como entender o porquê de as pessoas escreverem e lerem ou compreender as ações e intenções dos personagens em uma história. Apenas 5 a 10% das crianças com TEA podem ler as palavras melhor do que entendem o texto (às vezes chamado de hiperlexia), mas a grande maioria delas tem dificuldades com ler as palavras e entender o que o texto quer dizer.

Há alguns erros comuns quando se trata de ajudar essas crianças com TEA na alfabetização. Você pode encontrar alguns desses erros abaixo e dicas para contorna-los e melhorar o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita dos pequenos!

 

  • Erro número 1 – Você não deve trabalhar a alfabetização da criança antes que ela comece a falar
  • Não hesitamos em promover a linguagem, brincadeiras e habilidades sociais, mas há um equívoco comum de que crianças com TEA precisam começar a falar antes de serem alfabetizadas. Na verdade, os pais devem evitar esse tipo de pensamento e entender que, em muitos casos, promover as habilidades de alfabetização o quanto antes pode ajudar na melhora da comunicação da criança.

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    Conteúdos Relevantes

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  • Erro número 2 – Aprender o nome das letras é a habilidade mais importante de alfabetização que você pode ensinar para uma criança com TEA.
  • Existem muitas habilidades iniciais de alfabetização que são essenciais para as crianças desenvolverem mais tarde a leitura e escrita, incluindo:

      -Conversação (falar e entender)

      -Vocabulário

      -Interpretação de texto

      -Caligrafia

      -Consciência fonológica (entender que as palavras podem ser divididas em sílabas e sons, além de entender que as letras “fazem” sons)

    Quando as crianças iniciam a pré-escola, há ênfase no aprendizado de nomes e sons de letras. Isso ocorre porque as crianças geralmente começam a desenvolver muitas das habilidades iniciais de alfabetização listadas acima quando começam a escola. Entretanto, para a maioria das crianças com TEA, aprender o nome das letras é bem fácil, então o foco dessas crianças deve se concentrar em desenvolver outras habilidades de alfabetização, como entender as histórias ou caligrafia.

     

  • Erro número 3 – A melhor maneira de ajudar a criança na alfabetização é sentando com ela e fazendo exercícios
  • É importante saber que esse trabalho de alfabetização deve ser feito de uma forma natural, durante as atividades do dia-a-dia. Dessa forma, a criança vai entender melhor sobre o propósito de ler e escrever (um conceito que pode ser desafiador para muitas crianças com TEA).

    Você pode melhorar o desenvolvimento da leitura e escrita na rotina da criança de diversas formas, como:

      -Direcionar a atenção da criança para tudo que possa ser lido ao redor dela, como cartazes, caixas de brinquedos, embalagens, cartões, etc;

      -Colocar uma etiqueta nos principais itens do cotidiano da criança, como por exemplo uma etiqueta escrita “tênis” na sapateira;

      -Criar um jogo americano com o nome de cada familiar para o almoço de domingo;

      -Incentivar a criança a assinar seu nome nos desenhos que ela fizer;

      -Escrever cartões para datas especiais;

      -Deixar papel e lápis disponível sempre para que os pequenos possam rabiscar e escrever;

     

    Erro número 4 – As crianças com TEA devem ser desencorajadas a lerem livros “não tradicionais” e devem se concentrar em livros de histórias                   

    Muitas crianças com TEA gostam de ler livros ou revistas relacionadas a seus interesses especiais, como livros de não-ficção sobre dinossauros, revistas de automóveis ou mapas de metrô. Elas não devem ser desencorajadas a ler esse material, pois isso as motiva a interagir com a palavra impressa. Portanto, não tenha medo de compartilhar uma variedade de material de leitura com seu filho. Siga o exemplo do seu filho e converse sobre qualquer material de leitura que lhe interesse.

    Se seu filho gosta de livros de histórias, incentive isso escolhendo livros de histórias que tenham:

      -Fotos simples;

      -Uma história previsível com uma sequência lógica de eventos;

      -Eventos que podem estar relacionados às experiências cotidianas de seu filho.

    Você não precisa ler o livro exatamente como está escrito. Você pode tornar as histórias mais fáceis de entender e mais interativas:

      -Usando frases mais curtas;

      -Não lendo as palavras do livro, contando a história de uma maneira mais simples;

      -Apontando para as fotos enquanto você lê;

      -Usando sua voz e rosto para adicionar interesse e significado·

      -Faça uma pausa e espere durante a história para permitir que seu filho participe de sua própria maneira (apontando, vocalizando, olhando para você ou dizendo algo sobre a história).

    Para crianças que entendem e usam frases, você pode:

      -Encenar a história junto com adereços como bonecos ou figuras. Ajude a criança a contar a história, garantindo que ela inclua um começo, meio e fim claros.

      -Faça perguntas e faça comentários quando lerem juntos para ajudar seu filho a pensar além das páginas do livro. Você pode perguntar sobre o que pode acontecer a seguir na história ou como o personagem pode estar se sentindo.

     

    Você não precisa esperar até que a criança comece a estudar para promover as habilidades iniciais de alfabetização – quanto mais cedo você começar, melhor!

    Ao apontar palavras impressas na sua vida cotidiana, incluindo a criança em rotinas que envolvem a escrita (como fazer uma lista de compras) e compartilhar material de leitura motivador com os pequenos, você estimulará o amor pelos livros e o interesse pela escrita que pavimentará o caminho do seu filho para ler e escrever.